Eu já disse que essa história um dia renderia uma novela mexicana, onde a mocinha sofre o tempo todo e, só no final, tem algum alívio, mas talvez renda apenas mais uma pequena crônica.
Quando alguém me diz: "Poxa! Como você é inteligente!", eu sempre me lembro das pessoas que eu considero muito inteligentes e acabo por achar que não sou tão inteligente assim.
É verdade que existem diversos tipos de inteligência, mas a inteligência a que me refiro é a capacidade de fazer conexões e obter raciocínios inimagináveis para minha cabecinha. Ou então a facilidade e rapidez em se aprender a fazer alguma coisa nunca antes feita ou entender um assunto nunca antes estudado. Eu não possuo, definitivamente, nenhuma dessas duas inteligências.
Sempre que me lembro estudando alguma coisa nova, revejo-me atravessando noites, labutando em aulas e visitando diversos livros. Já algumas coisas que aprendi a fazer, foi também com muito esforço. Passo a contar agora uma dessas coisas que demorei para aprender.
Aos 19 anos, como todo recém-"maior de idade", entrei com processo para tirar minha CNH. Fui a uma auto-escola, paguei pelo serviço e passei por todos os trâmites necessários para se tirar a tão sonhada CNH. Fiz os exames médicos e psicológico, o tal cursinho chatíssimo, a prova teórica e, bem, por mais incrível que possa parecer, passei em todos os testes, inclusive o psicológico. Depois disso, iniciei as aulas práticas de direção. Fiz todas as horas-aulas requeridas para fazer o teste e chegou o dia de marcar a prova. Por causa de um erro de comunicação entre mim e a auto-escola, não realizei a prova de direção. Como, logo depois, passei a cursar Ciência da Computação na UFG, curso integral e em cidade diferente daquela que havia começado meu processo de CNH, acabei por abandonar tudo. Primeira tentativa frustrada.
Durante os anos que se seguiram, devido, principalmente, a correria e a falta de dinheiro para reiniciar o processo, fui deixando para depois tirar essa tal CNH.
E passou o tempo, passou o tempo, passou o tempo. Finalizei minha graduação. Finalizei meu mestrado. Comecei a trabalhar. Agora eu tinha dinheiro para pagar meu processo de CNH. O que eu fiz? Dei entrada, novamente, no processo. Fiz, novamente, os exames médicos e psicológico e o tal cursinho chatíssimo. Quando ia começar as aulas práticas, o Detran entra de recesso de final de ano e eu também.
Nesse meio tempo, passo no concurso para professor da UFMT em Cuiabá. Que maravilha! Depois de sete concursos prestados no ano de 2010, consigo passar, finalmente, para o cargo que eu tanto queria. Em um lugar um pouco longe de casa, mas não hesitei em assumir o cargo.
Só que tinha uma questão pendente: a tal CNH. Bem, voltando o DETRAN do recesso, finalizei minhas aulas práticas e, ao final da primeira quinzena de fevereiro, estava pronta para a prova de direção. Só que havia um pequeno problema: uma semana depois eu estaria mudando para Cuiabá, para assumir a tão sonhada vaga de professora do magistério superior! Então eu tinha que passar naquela prova. E sabem o que aconteceu? Eu não passei.
Prossegui com minha vida: mudei-me para Cuiabá e decidi que, no próximo feriado prolongado, iria para minha cidade natal onde realizaria o reteste de direção. Dois meses depois, estava eu em Anápolis para fazer a tal prova. Nesses dois meses, obviamente, não dirigi carro algum e, chegando em Anápolis, não tive tempo para treinar para a prova. Resultado? Deixei o carro apagar duas vezes e, novamente, reprovei. Segunda tentativa frustrada.
Sabem o que fiz? Transferi meu processo para Cuiabá. Meu raciocínio foi: não estou tendo tempo para treinar, por isso reprovei na prova. Assim sendo, transferirei meu processo para Cuiabá onde terei tempo para treinar para a prova de direção. Paguei um monte de taxas de transferência, aproveitei cursinho e exames e lá fui eu fazer aulas de direção novamente.
Fiz uma ou duas aulas e sabem o tal elemento surpresa? Pois é, eu tive alguns. O Detran do MT entra de greve primeira vez. Cancelo minhas aulas e espero o Detran finalizar a greve. Detran volta a funcionar. Marco minhas aulas novamente. Faço uma aula. Detran entra de greve novamente. E lá vou eu esperar mais um pouco para poder voltar a fazer aulas de direção. Nesse meio tempo, torço meu pé esquerdo. Logo o pé da embreagem! Detran sai da greve, mas meu pé está doente. Espero uma recuperação que demora a vir.
Aí sabem o que acontece, queridos leitores? O terceiro elemento surpresa da saga "Tirando CNH parte Cuiabá": passo no concurso para professor da UnB. E eu vou lá reclamar de uma coisa boa dessas? De jeito algum! E, com pé doendo ou não, vamos finalizar essas aulas e marcar a prova de direção em Cuiabá. Novamente, fiz a prova de direção uma semana antes da minha mudança para Brasília e o resultado vocês já devem imaginar, não? Reprovação! É claro! Terceira tentativa frustrada.
Como não tinha outro remédio, pedi transferência do meu processo. Fechei em Cuiabá e reabriria em Brasília: esse era o plano. Passada a correria da mudança, fui a uma auto-escola levando toda papelada para reabrir meu processo. Ao chegar na auto-escola, informaram-me que eu deveria ir ao Detran. E lá fui eu. Fui atendida por uma senhora que me disse: você vai ter que começar do zero! Já deu um ano.
Que coisa boa, não? De novo fazer todos os exames. Depois o curso chato. Depois um bocado de aulas, prova de direção. Fiquei bem chateada, mas era a lei e não havia nada que eu pudesse fazer. Querem saber? Deixei pra lá.
Novamente o tempo passou, passou, passou... e quase dois anos depois resolvi abrir o processo. Pensei: melhor em Anápolis que já fiz duas provas e já conheço bem o percurso. E lá fui eu. Nas férias fiz os exames e tudo o mais que era necessário. Faltavam as terríveis e cansativas aulas de direção. E como diria a bruxa do pica-pau "E lá vamos nós! E lá vamos nós! Lá vamos nós! Lá vamos nós..." Será que agora iria?
Foi uma correria só. Tinha apenas quinta-feira para fazer as aulas. Pegava o ônibus na quinta de manhã. Chegava em Anápolis às 9h. De lá ia direto pegar aulas de direção. 10h às 12h. Depois de 13h às 15h. Corria de volta para a rodoviária e pegava de novo o ônibus de volta para Brasília. E foi assim, na correria, que fiz minhas aulas de direção.
Em Dezembro estava pronta para a prova de direção. Finalmente! De novo estávamos lá. Dessa vez meu irmão me acompanhou, algo que nunca havia acontecido. E, bem, na quarta tentativa, passei! Não cometi qualquer falta durante a prova.
Sabe quando você se sente lavada? Foi assim que me senti. Chorei como uma criança. Pensei: um peso a menos. Uma cobrança a menos da sociedade. Sim! Porque no Brasil uma pessoa como eu não ter CNH e muito menos um carro!?!? Que loucura! Quanta incompetência!
Seria bom se esse fosse o final, mas não foi. Uma CNH, bem, leva um tempinho para ser emitida e, finalmente, chegar nas mãos do condutor. Mas eu não queria perder tempo. Comprei logo um carro e comecei a dirigir pelo meu bairro em Anápolis enquanto a CNH chegava.
Passou um mês de espera. Ok! Fiz a prova no final do ano. Vamos dar um desconto, né? Passou o segundo mês. Tudo bem! Carnaval e de novo recesso, né? Passou o terceiro mês... tão de brincadeira comigo, não? Com exatos 90 dias que passei no teste de direção, finalmente, encosto na minha permissão para dirigir. Agora é só dirigir.
Feliz e contente, saio de Anápolis em direção a Brasília. SIM! Eu conduzia o carro. E nada aconteceu na viagem! Tudo maravilhosamente bem. Sehr gut! Let's go people drive to FGA. Primeiro dia de aula do semestre. Tiro o carro da garagem. Passo a primeira esquina da minha residência e... bato num carro. QUE BOM! QUE MARAVILHA!
Resultado: carro um mês na oficina. E eu? Com pavor de dirigir. Medo mesmo. Um medo que nunca tive antes em relação a qualquer coisa. Pensar em dirigir me dava calafrios. Fazia meu coração disparar. Fazia minhas mãos suarem. Um nervosismo inexplicável. Não, meus caros, não era paixão. Era medo.
O carro ficou pronto e lá vou eu tremendo de medo buscar o carro. Na saída da oficina sabem o que eu faço? Encosto em outro carro que havia acabado de ser arrumado. Graças a Deus nada demais, mas aquilo alimentou ainda mais meu medo.
Sabem? Eu decido quem manda em mim e não seria o medo. Essa foi minha decisão. E, de fato, eu encarei. Dirigi morrendo de medo diversas vezes. Pensei em desistir algumas outras vezes. Mas não me entreguei, afinal, eu decido quem manda em mim.
Agora já fazem quase quatro meses que peguei minha permissão para dirigir. Confesso que vez ou outra entro no site do Detran para ver se não fiz nenhuma merda que me fará perder minha permissão. Espero que não, viu? Na verdade já fiz, né? Mas, sinceramente, espero que, como é comum no Brasil, as leis não funcionem da forma como foram projetadas. Por favor! Que eu tenha essa sorte!
Ainda não sei se passados esses meses restantes ainda terei permissão para dirigir. Espero que sim. Sei que não sou a melhor motorista do mundo, mas sou persistente. Quem sabe um dia eu me aperfeiçoe mais nessa arte?
É por isso que quando me dizem: "Fabiana, como você é inteligente!" A única coisa que me vem a mente é: Eu não sou inteligente. Não sou habilidosa. Sou persistente. Se isso é ser inteligente, não sei, o que sei é que insisto e às vezes consigo.
segunda-feira, 16 de junho de 2014
quinta-feira, 5 de junho de 2014
Aos meus mestres
Hoje sonhei com pessoas especiais, que me ensinaram valores profissionais e éticos do mais alto padrão. Acordei feliz, agradecida a Deus por ter colocado pessoas tão maravilhosas para me orientar. Por elas terem ajudado a me formar enquanto profissional e ser humano. Meu desejo é retribuir essas pessoas espalhando essa boa corrente de carinho, humanidade e ética.
Na minha vida, graças a Deus, sempre fui cercada de grandes pessoas, que me ensinaram valores e princípios de ética, respeito, carinho e amizade. Pessoas que me ensinaram a acreditar nas pessoas. A plantar meu melhor naqueles que me cercam. A colaborar para a formação de pessoas, infundindo os melhores e mais altos valores de humanidade e respeito.
Não, não retribuo mal com mal. Recuso-me a isso. Eu não faria isso com meus mestres. Não faria isso com meu Deus. Não faria isso com meus pais. Não faria isso com meus professores. Eu não faria isso com meus orientadores. Não faria isso com meus amigos. Eles me ensinaram a ser melhor que isso, a ser acima disso.
Não, eu não desisto da humanidade, pelo contrário, ajudarei a construir uma sociedade em que uma pessoa respeite a outra, uma contribua para o sucesso da outra, pessoas almejem cooperar uma com a outra para um bem comum.
E quando me criticarem, quando me difamarem, quando me machucarem, quando me entristecerem, quando me maltratarem; eu irei respirar fundo, irei contar de um até dez, irei lembrar de meus mestres, irei lembrar dos meus bons valores e ensinamentos. Aí sim, estarei pronta para dar uma resposta a altura.
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