segunda-feira, 8 de junho de 2015

Lei da Hospitalidade


Que esse Goiás dentro de mim jamais morra!
Que qualquer um, cansado de viagem
Que queira encontrar em minha alma
Hospitalidade
Receba carregada de amor e carinho

Que ao primeiro sussurro
Eu identique e saiba
Responder
Desarmar
E aconchegar

Porque foi assim que aprendi
Sem medo de amar
Sem medo de fazer o bem 
Essa é a lei da hospitalidade
Essa é a lei do amor
Essa é a lei que quero praticar

Que nesse mundo tão cheio de ódio e rancor
Eu possa estar carregada de amor e perdão
Para doar a todos os viajantes
cansados deste mundo
de terras pisadas
de terras árduas.
Que tais viajantes se desarmem quando me encontrarem
E que se sintam a vontade em se aconchegar nestas terras

Porque aqui só deve existir
     Hospitalidade
     Carinho abundante
     E amor
Porque foi assim que aprendi
E é assim que quero ser




"Ô de Casa!" (Cora Coralina)

"(...)

'Ô de Casa! Ô de fora.

Tome chegada, se desapeia.'
O viajante, estranho ou não, 
descia do animal.
(...)
Ali o viajante se identificava melhor
Se desarmava
entregava suas armas de cano e de cabo ao dono da casa
Era o preceito social. Meu avô aceitava ou não
conforme o conhecimento do visitante. Recolhia numa das gavetas para restituir na saída.
(...)
Meu avô ouvia as informações.
 Não especulava. 
Oferecia acomodação, no dentro, quarto de hóspedes. 
(...)
Lei da Hospitalidade
(...)
Despediam em gratidão e repouso
Era assim no antigamente, 
naqueles velhos reuni de Goiás."


Assim como Cora Coralina, sou goiana. Até meus 17 anos fui nascida, criada e crescida nessas boas terras. Também minha formação profissional veio dessas terras. É por isso que, apesar de não mais viver nela, admiro e sinto tanta saudades. Esse texto que vos escrevi é uma releitura do texto anteriormente posto de Cora Coralina e um rogo: que eu jamais me esqueça das boas coisas que aprendi em minha deliciosa terra!