Esse
não é um texto de auto-ajuda. Definitivamente não. É uma
constatação simples da vida. Andando por estes caminhos tortuosos
que muitas vezes somos conduzidos, algumas observações se tornam
pertinentes.
A
vida é doce, como é doce! Amigos! Família! Amor! Carinho! Mas
também pode ser muito amarga. Derrota! Vergonha! Tristeza! Solidão!
Na
longa estrada da vida, alguns caminhos são invitáveis. Algumas
marcas vamos levar para sempre. A marca daquele passo errado! Daquela
decisão mal tomada. Mas existem dois e apenas dois erros
imperdoáveis. Imperdoáveis não para o próximo, mas para si mesmo.
Porque esses erros nos impedem de avançar, de crescer, de refletir
com a vida e, principalmente, de prosseguir.
Os
erros acontecem, e como acontecem! Ninguém nasce sabendo, e é só
errando que se aprende o que é certo. Mas os erros incomodam, pois
existe um sentimento de impotência associado a eles. Existe a
certeza de que, muitas vezes, não é possível voltar no tempo e
consertar tudo. Então, quem são os culpados?
Eis
a primeira grande dificuldade da vida: reconhecer que errou.
Reconhecer que a culpa não é de mais ninguém senão minha. Não
foi aquela pessoa que estava na hora errada! Não foi minha posição
geográfica! Muito menos a chuva ou a pressão. Eu errei! Eu não fui
capaz! A culpa foi minha e de mais ninguém.
Que
depressão! Então a culpa é minha? Eu não fui capaz? Como posso
ser assim? Como posso fazer isso comigo? Com as pessoas que tanto
amo? Como posso fazê-las sofrer desse modo? Eu realmente sou nada!
Realmente uma imprestável! Por quê? Por que sou assim? Por que
nunca aprendo?
Ah!
Deparo-me, então, com a segunda grande dificuldade da vida:
perdoar-se pelo erro cometido. Quem nunca pecou que atire a primeira
pedra. Que me apedrejem! Eu sou culpada! E daí? Eu não nasci
sabendo, e, com erros, posso tirar valiosas lições. Maravilhosas
lições. Eu me dou a chance de não ser perfeita. De errar e
aprender com tudo isso. De ressurgir das cinzas se necessário. Eu
sou assim: cheia de imperfeições. Mas e daí? Eu me perdoo. Eu
reconheço quem eu sou!
Eu
errei e não quero mais errar. Eu me aceito do jeito que eu sou: toda
assim sem jeito. E se eu cometer o mesmo erro? Tudo bem, sacudirei a
poeira, curarei as feridas e começarei de novo.
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