segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O dia em que EU deixei de ser criança

Eis o início da vida humana. 
Tudo é novo. 
Tudo convence. 
Tudo alegra.

Aquele edifício é um disco voador. 
Um fiozinho solto em um tecido que distrai por horas.
Uma espiga de milho que é uma linda boneca loira.
Formigas grandes que têm um veneno mortal.
O espinho de peixe que mata.

Simplicidade, acima de tudo.

Ai! Que vontade de ser adulto!

Aconteceu quando percebi que o edifício era apenas um edifício.
Que o fiozinho, era um mero fio.
Que a espiga de milho não era uma linda boneca.
E que as formigas não eram tão assustadoras assim.
E, bem, o espinho não foi o que matou.

Um ser racional, acima de tudo.


Foi quando, pela primeira vez, vi minhas atitudes terem consequências.
Foi quando me tornei dona de mim.
Foi quando percebi os erros dos meus heróis.
Foi quando me vi só, sem o abraço de minha mãe.
Foi quando o choro se tornou inevitável e ninguém podia me entender e consolar.
Foi quando deixei de ser criança...

Ai! Que vontade de ser criança!



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