sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Andarilho

Por anos eu quis ir
E muito lutei para ir
É que meu coração é grande
Tão grande que precisa de muito, muito espaço

Em busca de sonhos renunciei paixões
Em busca de sonhos me afastei dos meus amores
Em busca de sonhos me transformei em uma pessoa melhor

Andando aqui e ali
Parada não!
Porque assim não consigo
Mudando por dentro e por fora
Porque isso me faz bem

Quem sabe um dia
Com pés cansados
Eu me encontre em um único lugar
E me encontre em um único momento

Quem sabe um dia
Depois de tanto ver
Depois de tanto experimentar
Eu acredite que já é suficiente

Mas esse coração... Ah! Esse coração!
Coração de asas
Coração curioso
Coração intenso
Coração vívido
Coração amplo
Ah! Esse coração ainda quer mais!
E se ele me diz que não consegue ser feliz de outro jeito
A ele seguirei!
Ainda que isso signifique
Coração triste
Coração despedaçado
Só porque ele me diz que de outro jeito ele não consegue...

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Lei da Hospitalidade


Que esse Goiás dentro de mim jamais morra!
Que qualquer um, cansado de viagem
Que queira encontrar em minha alma
Hospitalidade
Receba carregada de amor e carinho

Que ao primeiro sussurro
Eu identique e saiba
Responder
Desarmar
E aconchegar

Porque foi assim que aprendi
Sem medo de amar
Sem medo de fazer o bem 
Essa é a lei da hospitalidade
Essa é a lei do amor
Essa é a lei que quero praticar

Que nesse mundo tão cheio de ódio e rancor
Eu possa estar carregada de amor e perdão
Para doar a todos os viajantes
cansados deste mundo
de terras pisadas
de terras árduas.
Que tais viajantes se desarmem quando me encontrarem
E que se sintam a vontade em se aconchegar nestas terras

Porque aqui só deve existir
     Hospitalidade
     Carinho abundante
     E amor
Porque foi assim que aprendi
E é assim que quero ser




"Ô de Casa!" (Cora Coralina)

"(...)

'Ô de Casa! Ô de fora.

Tome chegada, se desapeia.'
O viajante, estranho ou não, 
descia do animal.
(...)
Ali o viajante se identificava melhor
Se desarmava
entregava suas armas de cano e de cabo ao dono da casa
Era o preceito social. Meu avô aceitava ou não
conforme o conhecimento do visitante. Recolhia numa das gavetas para restituir na saída.
(...)
Meu avô ouvia as informações.
 Não especulava. 
Oferecia acomodação, no dentro, quarto de hóspedes. 
(...)
Lei da Hospitalidade
(...)
Despediam em gratidão e repouso
Era assim no antigamente, 
naqueles velhos reuni de Goiás."


Assim como Cora Coralina, sou goiana. Até meus 17 anos fui nascida, criada e crescida nessas boas terras. Também minha formação profissional veio dessas terras. É por isso que, apesar de não mais viver nela, admiro e sinto tanta saudades. Esse texto que vos escrevi é uma releitura do texto anteriormente posto de Cora Coralina e um rogo: que eu jamais me esqueça das boas coisas que aprendi em minha deliciosa terra!

terça-feira, 7 de abril de 2015

Viagens e amor

"O diferente é inimigo, o fanatismo substitui a razão e a fraternidade, as religiões humanistas se pervertem (...) E tudo isso por quê? Por causa de uma centelha de vida insignificante, frágil, efêmera e quase sempre ridícula, num planetinha pretensioso, entre pessoas e povos ainda mais pretensiosos, que julgam, temem e odeiam os outros pela língua, pela cor, pela cara, pela comida e por tantas outras coisas que não têm importância para o espírito e a vida. A diversidade é a glória do homem, mas a rejeitamos pelo desejo de uma uniformidade castradora e falsamente segura"  (João Ubaldo Ribeiro - Um brasileiro em Berlim).


João Ubaldo Ribeiro morou um ano na Alemanha e escreveu um livro relatando essa experiência. No penúltimo capítulo, último parágrafo, ele traz as palavras mencionadas anteriormente. Sobre essas palavras, quero dar minha opinião. 

Acho que viajar nos deixa mais humanos. Aprendemos a conviver melhor com as diferenças. Aprendemos a respeitar mais aqueles que são diferentes e pensam diferente da gente. A razão de tamanho aprendizado é simples: quando viajamos somos imersos em um ambiente em que todos são diferentes de nós: comem diferentemente, vestem-se diferentemente, possuem valores diferentes, falam diferentemente. O fato de estarmos em um lugar tão diferente da gente, não nos torna melhores ou piores. Torna-nos apenas diferentes. 

Viajar nos faz-nos respeitar aquilo que é diferente e isso é amar! Logo, viajar nos faz amar mais, porque um dos ingredientes do amor é o respeito! E sendo o amor a base do pensamento cristão, viajar nos torna mais cristãos. 

Diante dessa experiência, percebemos que a maneira de vestir, falar, comer, gesticular são apenas a casca do ser humano. Percebemos o quão superficiais são as nossas convenções sociais. E o quão superficiais somos quando julgamos ou odiamos alguém por causa dessa casca. 

Que eu possa adquirir cada vez mais essa habilidade de captar a essência do indivíduo e não apenas aquilo que é exterior ou que foi em algum momento moldado por uma cultura. Que eu possa adquirir mais a capacidade de amar e respeitar tudo aquilo que não compreendo. E que eu possa viajar mais =D

sábado, 21 de março de 2015

Amor de Tia

Algum tempo se passou
Desde aquele dia em que primeiro a vi.
Com aquela carinha brava
Aqueles cabelos loiros
Confesso: amei desde o primeiro instante.
Foi um amor que mudou minha vida:
Antes um ser humano sem paciência com crianças
Para um ser humano apaixonado por uma criança

Mas eu, uma mera adolescente,
Pega de surpresa por uma ainda tão pequena vida,
Não consegui entender a profundidade desse amor.
Primeiro: ciúmes
Afinal, ela me destronou! 
Depois: disciplina
Afinal, era um amor tão, tão grande
Que achei ser minha obrigação.
Finalmente: amizade
Afinal, como me foi dito,
Esperei e vi crescer uma garotinha
Para, em seguida, ver surgir minha amiga.
Aquela que consegue entender minhas piadas,
Que consegue repetir minhas ironias confundindo-me,
Que consegue silenciar diante daquilo que não há solução.
Alguém tão reservada quanto eu,
Alguém que  pensa mil vezes antes de dizer,
Mas que com um olhar expõe tudo que existe lá dentro.

Eu, que sempre achei que presenciava a transformação 
De um lindo bebê em uma maravilhosa mulher,
Mal percebia que a transformação ocorria aqui, dentro de mim.
Eu? Sim! E aqui dentro.
De adolescente revoltada para uma adulta bem resolvida,
E, de novo, adolescente!
Redescobrindo as tristezas e alegrias dessa idade.
Qualquer dia me descubro, de novo, uma adulta bem resolvida
Através desse ser maravilhoso e apaixonante.



domingo, 8 de março de 2015

Rogo de Criança

Essa semana foi sui generis: começou e terminou com a experiência da morte. Sim, morte. Aquela literal. Aquela que se vê o fim de tudo. Aquela que a gente percebe para onde estamos indo. Aquela que te dá um tapa na cara e te diz: e aí?


A vida é uma contagem regressiva
A gente começa com o cronômetro cheio
Mas o tempo passa e a gente nem percebe
Antes era criança, hoje nem se reconhece
Antes era folia, hoje a gente pensa
Aí vai um, e a gente nem sente
Vai outro, a gente pensa
Vai um outro, a gente senta
Vai mais outro, a gente pára 
E mais outro... e a gente se diminui
Sim, se diminui
Porque percebe quão pequeno é o homem
Quão derradeira é a vida
Quão sorrateira é a vida

A vida é bela. 
Sim! Muito bela.
E deve ser intensa
E deve ser maravilhosa
Porque um dia ela chega ao fim.
Sim, chega ao fim...

A gente sabe que um dia acaba
Que um dia todos se vão
E quanto mais tarde estamos
Mais fácil é que o fim chegue
O próprio fim? Também!
Mas pior não é o próprio fim
O pior é a dor que fica
A dor da saudade
A dor de quem um dia amou
E agora, no lugar do amor e do cuidado,
Ressoa na saudade
É por isso que eu rogo:
      Não! Por favor, não!
      Ainda não... Só mais um pouco...
      Eu ainda preciso muito!
      Deixe mais, muito mais...
      Porque eu sei que não consigo!


domingo, 1 de fevereiro de 2015

Sina

Quando o sol brilhar
Quando o dia chegar
Quando o vento soprar
Quando a vida começar

Caminhar! Perto bem perto!
Voar! Longe bem longe!
Para onde?
Os sonhos dirão

Aqui ainda não é o lugar!
Os pés querem andar
E o coração quer voar

Caminhar! Perto bem perto!
Voar! Longe bem longe!
Para onde?
Os sonhos dirão

E quando com o coração quieto
E quando com as asas cansadas
E quando com os pés já descalços
Parar! Mas continuar...
Com a alma pronta
Com a mala feita
Com o coração feliz