quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Quando a Gente Morre


A gente morre sempre decide algo de maneira profunda e invariável, mas falha. Pior ainda é quando a razão da falha nada mais é porque se é forte demais para prosseguir no firme propósito de lutar. É preciso ser muito forte para lutar contra si próprio. 

Aí a gente morre um pouco. Continua vivendo, é fato, mas convive com aquele sentimento de morte, de falha, de impotência diante de uma fortaleza dentro de si. Continua vivendo aos pedaços. 

É por isso que um epitáfio é, de novo, necessário. Como diriam os poetas: devia ter, queria ter!

Construindo por anos o que somos. Forte nas opiniões. Inabalável nas vontades. Racional diante do irracional. Persistente diante dos problemas. Perseguidor de sonhos. Um ser humano perfeito! Perfeitamente imperfeito... Sempre falta algo. Sempre falta aquele pedaço que não se foi sábio para construir. 

É por isso que um epitáfio é, de novo, necessário: devia ter, queria ter! E que "o acaso me proteja enquanto eu andar distraído".

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Mutação

Um dia o que era verdade
Deixa de ser absoluta
E onde existia certeza
Passa a morar a dúvida

O que há de errado nisso?
Isso se chama evolução,
Não involução.

Questionar faz parte do natural
E se alguém possui senso
Que seja ele bom

Não é questão de perder a moral
É pensar sobre o que um dia fez sentido
Mas que se tornou prejudicial

Certo ou errado?
Depende do referencial
Do clima
Do sentimento
Da posição geográfica
De uma situação (des)favorável...
Certo e errado não fazem sentido!

E quando o sol nascer
Tudo parecerá mais belo
O clima será ameno
O céu será azul
Os pássaros cantarão felizes
E você sentirá a leveza de saber
Quem você realmente é

"Já não sou mais aquele - e ainda não sou outro" (Millôr Fernandes)

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Filhos Únicos

Um dia os pais se vão, e o que nos resta senão os irmãos? Irmãos são aqueles que estiveram conosco desde muito pequenos e, portanto, conhecem grande parte de nossos sabores e dissabores.

É bom conversar com eles. Somente eles entendem certas piadas, certos choros, certos sentimentos; porque viram e participaram conosco de muitas lutas que nos fizeram o que somos. Eles são um pouquinho do que somos. Uma parte nossa está neles.

Ser filho único não tem muita graça. Não existem aqueles com quem podemos partilhar nossa origem. Diria, inclusive, que é triste, melancólico.

Dá certa inveja quando vemos irmãos que vivem tão longe um do outro se encontrando, trocando abraços e mostrando o que têm em comum. 


Encontrar irmãos implica em encontrar sua própria origem, entender o que é de si próprio e o que vem dos pais.

E aqui estou eu, em um lampejo, entendendo que, apesar de morar em um país imenso, rico e, de fato, maravilhoso; estou em um país filho único na América. Ninguém por perto para me ajudar a responder: que somos nós?


Uma reflexão do concerto de la Orquesta Sinfónica Cedros de la Universidad Panamericana de México @Teatro Solis, Montevideo, Uruguay

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Linguagem Escrita

Pelo simples prazer de escrever e expressar-me por palavras. 
Meros símbolos separados por espaços em branco.
Entretanto, não subestime seu poder.

Palavras expressam sentimentos, ideias e força.
Expressão do que é o ser humano.

Tento me expressar pelos meus gestos e falas
Mas se não consigo, junto palavras e escrevo minhas impressões.
Nada mais que impressões.

Impressões não são verdades, é importante frisar.
Impressões é o que se pensa em um exato momento sobre um determinado assunto.

Arte é o que se faz com intuito de levar aquele que observa à reflexão.
Reflexão em diversos sentidos e, até mesmo, repensar atitudes.
Arte é aprender pela observação.
E quem hoje está disposto a aprender?

Pelo simples prazer de expressar-me escrevo.
E se você não entender, desculpe-me
Sou péssima com desenhos.

(Uma reflexão sobre a exposição "Algunas Historias de la Historia del Lenguaje Escrito" @Museo de Historia del Arte, Montevideo, Uruguay)

segunda-feira, 25 de março de 2013

Meine himmlisch Familie


Uma parte de mim ficou lá
Mas comigo eu trouxe algo
Embalei, empacotei e aqui está

Dentro de mim, lembranças,
Sorrisos, cuidado, irmandade,
Abraços, doces palavras e carinho.

Uma parte de mim lá ficou
Dói voltar sem esse pedaço
Dói deixar quem me cativou

Mas valerá a pena por causa da cor do trigo
Que não era importante
Mas que agora tem todo sentido!
Dará para a vida novo sabor!
Trará ao semblante mais cor!

Vamos, família?
Nein, danke! Ich bin gläubig!
Ich denke “paia”!
Ih! Ha! Ha! Ha! Eu entendi!

Eu entendi! Eu entendi!
Eu entendi de amor fraternal
Eu entendi de cuidado
Eu entendi de abraços
Eu entendi de sorrisos
Eu entendi! Eu entendi!

Was? Was? Barrabás?
Was ist das?
Ich habe... como se diz...
Como se diz muito obrigado?
Como expressar esse carinho
Que nasceu sem eu notar
E cresceu sem que eu pudesse controlar?

Danke schon!
Auf wiedersehen!
Bis bald! I hope so...

quinta-feira, 21 de março de 2013

Nunca mais

Hoje fui a um campo de concentração na Alemanha. Eu esperava que eu fosse chorar, mas não, foi pior. Fiquei desnorteada, abalada, triste e com medo, muito medo. Medo porque eu nunca vi o ódio, nunca vi a violência, nunca vi a privação. Não sei o que é isso. Sempre vivi em uma esfera de amor, cuidado, preocupação  mútua e bem-querer ao próximo. Aquilo me assustou. Assustou-me o monstro que o ser humano pode ser. Assustou-me o que a intolerância pode fazer. Assustou-me o que um homem que se sente "poderoso" é capaz. 


Aquilo abalou-me tanto que eu peguei o trem errado e fui parar em um lugar que eu não tinha noção onde era. E o fato de eu ter me perdido me assustou tanto, me deu tanto medo, como se fosse algo sem solução. Mas tinha solução! Racionalmente, tinha solução! Era só voltar para a estação de origem e fazer tudo de novo. Fiquei desconfiada das pessoas. Será que elas seriam capazes de fazer o mesmo comigo? Será que eu sou capaz de fazer isso com as pessoas?

Usando uma definição simplória, um campo de concentração é um lugar onde se amontoa muita gente, para fazê-los trabalhar sem parar, ter uma vida sem um mínimo de condições (higiênica, alimentar, etc), até, por fim, matá-los. É isso. Na verdade, é matá-los aos poucos: fisicamente e psicologicamente. E hoje, esses campos não existem? Quantas prisões existem no mundo, abarrotada de gente, sem um pingo de condições de sobrevivência? 



A minha impressão é que a Alemanha é um país corroído por feridas: a ferida da inquisição, a ferida do orgulho, a ferida do poder, a ferida do nazismo. É engraçado que escrever isso me deu medo. Como se alguém estivesse esperando eu terminar de escrever para me amordaçar. 

1. A inquisição: aqui a inquisição foi muito forte. Visitei um museu cujo nome era "Museu da Inquisição" e vi castigo para TUDO. Castigo para quem jogasse lixo na rua, castigo para quem se metesse na vida alheia, castigo para quem falasse demais, castigo para quem se perdesse... acho que a vida nessa época era, de fato, um castigo.

2. O orgulho e o poder: este é um país de castelos deslumbrantes. Maravilhosos aos olhos. Lindo demais. Nem parecem ser de verdade. Parecem ter nascido de um conto de fadas. Mas o que os castelos mostram? Mostram o orgulho de um rei que, na era absolutista, tinha necessidade de mostrar seu poder, de se mostrar grandioso através de suas edificações. 

3. O nazismo: nasceu após a primeira guerra mundial. Um país que foi castigado duramente pelas outras nações por ter "perdido" a primeira guerra, um país envergonhado e que passava fome. Um louco que queria "arrumar" a casa, tirar do rosto dos alemães aquela humilhação. Boa intenção, mas era um louco. Um louco incapaz de conviver com as diferenças, de aceitar a diversidade existente no mundo. Um louco cheio de loucos atrás dele.

Muitos dos alemães que eu tive a oportunidade de conhecer são acanhados. É difícil tirar-lhes um sorriso. É difícil fazer amizades. Será o frio do inverno? Serão as feridas acima mencionadas? Será essa apenas a MINHA impressão? Não sei... não sei por que eu tive essa impressão. 

Um país organizado, onde as coisas acontecem na hora que têm que acontecer, da maneira que têm que acontecer. 

São muitas as impressões. Impressões negativas. Impressões positivas. Apenas impressões.


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A Felicidade Mora bem Ali

Esqueça as crenças
E as ideologias vãs
Deixe de se condenar
Deixe de se balizar
Liberte-se para ser você
Assim, sem jeito
Assim, sem regras
Assim, sem juízo
Assim como você é 

Tenha medo de não ser você
De viver uma vida que não reflete você
De fazer coisas que não dizem respeito a você

Quem não te aceita como você é não te merece
E quem te merece tem paciência para esperar até que você aprenda

Então, não se torture com suas crenças
Nem com suas ideologias vãs
"Bem aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova"
Ou, nas minhas palavras,
Bem aventurado é aquele que não se condena naquilo que acredita

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O dia em que EU deixei de ser criança

Eis o início da vida humana. 
Tudo é novo. 
Tudo convence. 
Tudo alegra.

Aquele edifício é um disco voador. 
Um fiozinho solto em um tecido que distrai por horas.
Uma espiga de milho que é uma linda boneca loira.
Formigas grandes que têm um veneno mortal.
O espinho de peixe que mata.

Simplicidade, acima de tudo.

Ai! Que vontade de ser adulto!

Aconteceu quando percebi que o edifício era apenas um edifício.
Que o fiozinho, era um mero fio.
Que a espiga de milho não era uma linda boneca.
E que as formigas não eram tão assustadoras assim.
E, bem, o espinho não foi o que matou.

Um ser racional, acima de tudo.


Foi quando, pela primeira vez, vi minhas atitudes terem consequências.
Foi quando me tornei dona de mim.
Foi quando percebi os erros dos meus heróis.
Foi quando me vi só, sem o abraço de minha mãe.
Foi quando o choro se tornou inevitável e ninguém podia me entender e consolar.
Foi quando deixei de ser criança...

Ai! Que vontade de ser criança!



segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Falar o quê?

Tanto para ser falado, assuntos e sensações tantas que talvez as palavras não sejam suficientes para expressá-los. 

Pensei em escrever sobre fuso horário ou tempo, sobre alegria, sobre solidão ou, quem sabe, sobre conhecer pessoas, ou sobre os mil momentos alegres da vida. Mas, me deu vontade de escrever sobre sol e violão, e, logo depois, sobre indecisão. 

Qual seria o nome daquilo que a gente sente que é alegria, gratidão, solidão, medo, ansiedade e saudade tudo acontecendo ao mesmo tempo e que resulta numa felicidade que dá vontade de ouvir e cantar sozinha músicas antigas que lembram momentos igualmente muito antigos e felizes? Um meio misto de viver, simultaneamente, passado e presente e futuro e acumular sensações sobre todos eles.

Mas teve um dia
Fazia sol e chuva
Um típico dia de verão
Raios de sol entre as nuvens
Nuvens escuras tornando-se claras
E um arco-íris que só nasce depois da chuva

Todas as cores:
O branco e o preto
O amarelo e o azul
O verde e o púrpura
Todas tão belas
Principalmente quando em contraste

Crônica, suspense e poesia!

É desse dia contraditório
Desse misto esquisito de coisas
Dessa coisa que cresce
Sem saber exatamente como
Sem qualquer explicação lógica
É disso! Entende?